quarta-feira, 20 de maio de 2015

BOLETIM DO COLETIVO MARIA BONITA – ESPECIAL DEBATE “REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL” Maio/2015

O debate acerca da redução da maioridade penal geralmente vem à tona após a repercussão de crimes cometidos por adolescentes e é rodeado pela desinformação e pelo preconceito.
A grande mídia se aproveita da comoção gerada na população a partir da repercussão de tais crimes para disseminar a ideia de que a redução da idade penal resolveria o problema da violência. Também no Congresso Nacional tramitam diversas propostas com objetivo de alterar a forma de punição a jovens infratores, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171 que propõe alterar o Artigo 228 da Constituição Federal reduzindo de 18 para 16 anos a imputabilidade penal. Isso significa que se um adolescente de 16 anos cometer um crime, qualquer que seja, será punido como um adulto.
A divulgação de notícias exageradas na imprensa desperta nas pessoas um sentimento de insegurança e revolta que as fazem acreditar que o encarceramento do indivíduo infrator é a mais eficaz solução para a violência que acomete a sociedade. Deste modo, o debate acerca da redução da maioridade penal fica comprometido devido à ausência de uma análise mais aprofundada das informações que são veiculadas pela mídia.
Será que os adolescentes realmente não respondem pelos seus atos perante a sociedade e a justiça? Será que eles são os verdadeiros responsáveis por grande parte da violência praticada no país? Será que a diminuição da maioridade penal teria alguma relação direta com a diminuição da violência? Estas são algumas perguntas que devem ser feitas para enriquecer o debate sobre a redução da maioridade penal e sobre a questão da violência.

Os adolescentes já são responsabilizados em ato infracional.
Todos os países têm em suas legislações uma idade em que a criança ou adolescente começa a ser responsabilizado pelos seus atos infracionais. Na maioria dos países essa idade é de 14 anos, no Brasil é de 12 anos. Através de seis medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação) essas responsabilizações têm como objetivo auxiliar o adolescente a recomeçar e prepará-lo para uma vida adulta de acordo com o que é socialmente estabelecido.

Os adolescentes são mais vítimas do que autores da violência
Ao contrário do que a maioria pensa, os crimes cometidos por adolescentes representam menos de 1% do total de crimes cometidos em todo o país.
Do total de 21 milhões de jovens brasileiros, apenas 0,013% deles cometeram homicídios. Por outro lado, os homicídios representam 36% das mortes de jovens que não são por causas naturais, um número bem acima da média de 4,8% no restante da população. As taxas de homicídios de pessoas entre 1 e 19 anos cresceram 346% entre 1980 e 2010. De 2006 a 2012 33 mil adolescentes entre 12 e 18 anos foram assassinados no Brasil.
Mas não é qualquer jovem a principal vítima de violência no País. De acordo com o Mapa da violência de 2012, entre2002 e 2010, o número de homicídios na população jovem (entre 12 e 21 anos) caiu em 33% entre brancos, e cresceu em 23,4% entre negros. No mesmo período morreram 159.543 jovens negros vítimas de homicídios e 70.725 jovens brancos.
Para além dos homicídios, diariamente crianças e adolescentes são vítimas de todo o tipo de violência que na maioria das vezes passa desapercebida por todos. Quando esses jovens passam para a condição de infrator recebem os olhares da mídia, do Estado e da sociedade que querem vê-lo bem longe, se possível encarcerado. No entanto as causas que levam um jovem a cometer delitos continuam sendo invisibilizadas, e o foco ainda são os efeitos da violência o que resultará na perpetuação e agravamento do problema.



A redução da maioridade penal não diminui a violência
Atacar os efeitos e não as causas que levam adolescentes a cometerem crimes não é uma solução para o problema da violência, ao contrário, o agravaria.
O sistema prisional brasileiro além de lotado está falido. A população carcerária do Brasil é de 549 mil pessoas, mas há somente 310,6 mil vagas no sistema prisional, representando um déficit de quase 240 mil vagas.
Além da superlotação, o sistema penitenciário brasileiro não cumpre sua função social de controle, reinserção e reeducação dos agentes da violência. A prova disso é que o índice de reincidência nas prisões é de 70%, enquanto no sistema socioeducativo estão abaixo de 20%. Isso significa que um detento do sistema prisional comum tem muito mais chances de voltar ao crime do que um interno da Fundação CASA, por exemplo. Os números nos mostram que agir punindo sem uma preocupação em discutir quais os reais motivos que reproduzem em mantém a violência, só gera mais violência.

Punição para negros e pobres
É muito divulgada a ideia de que o Brasil é o “país da impunidade”. Cabe perguntar: impunidade para quem? A impunidade é regra quando falamos de uma reduzida parcela da nossa sociedade, parcela que corresponde à camada dos que controlam o dinheiro e detém diversos privilégios. Um breve exemplo: hoje, encontra-se preso Rafael Braga, negro e morador de rua; o crime que Rafael cometeu? Ele portava uma garrafa de água sanitária e outra de desinfetante quando próximo de um protesto em 20 de junho de 2013. Enquanto Rafael continua preso até hoje, Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, foi absolvido da acusação de homicídio culposo por atropelar e matar uma pessoa quando trafegava em velocidade acima do permitido. Será que se fosse branco e filho de família rica Rafael estaria preso? Poderíamos escrever páginas e mais páginas com exemplos semelhantes. Incontáveis acontecimentos nos levam a concluir que a justiça tem lado, e este lado é racista e tem classe social definida. Negros e pobres estão sempre no alvo das armas e dos camburões; neste contexto, saibamos que a redução da maioridade penal tem alvo certo: quem irá mais cedo para cadeia serão os filhos e filhas da classe trabalhadora, sendo em sua maioria negros e negras.

Qual seria a solução?
Se punir não é a solução, qual o modo mais eficaz de combater a violência?
Não há dúvidas de que a raiz e origem de toda a violência está no modo pelo qual a sociedade se organiza. No capitalismo tudo é convertido em mercadoria, inclusive a educação. O Estado não prioriza os interesses da classe trabalhadora, isso porque todas as suas instituições são dirigidas pelos ricos e poderosos. Apesar de a Constituição garantir a Educação como direito de todas(os), na prática há um fosso entre a escola dos ricos e a escola dos filhos e filhas da classe trabalhadora. Portanto, para eliminar toda forma de violência é necessário lutar contra o capitalismo e pela construção de uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária, ou seja, uma sociedade socialista. Sob o capitalismo só é possível ter vitórias parciais, mas para que elas aconteçam é preciso unir oprimidos e explorados na luta por direitos fundamentais. Neste sentido, para reduzir a violência contra a juventude é preciso exigir e efetivação dos direitos básicos descritos na constituição, como Saúde, Educação, Moradia, Transporte e Lazer. Por isso exigimos:
·         10% do PIB para Educação Pública Já
·         10% do PIB para Saúde Pública Já
·         Transporte Público de Qualidade, Passe Livre já!
·         Moradia para todas(os)
MENOS PRESÍDIOS, MAIS ESCOLAS!


Fontes:

domingo, 3 de maio de 2015

Contra a opressão e a exploração NÃO TEM ARREGO!

As MPs 664 e 665 de Dilma PT retiram direitos trabalhistas e a PL 4330 das terceirizações vai jogar a CLT, literalmente, no lixo. As trabalhadoras e os trabalhadores não tem se calado diante dos ataques dos governos. As greves estão ocorrendo em diversos setores. Na educação não é diferente.

A categoria tem protagonizado greves em diversos Estados. No Estado de São Paulo estamos em greve desde o dia 13 de março, enfrentando um governo duro e truculento que sucateia a escola pública e se recusa dialogar, ignorando completamente as reivindicações da categoria. Apesar da truculência, as professoras e professores tem resistido bravamente.

O "Coletivo Contra Opressões Maria Bonita" é parte da construção dessa greve, defendendo o combate as opressões como parte integrante da luta sindical. Basta de machismo, racismo e homo-transfobia!

Venha você também construir esse coletivo, pois contra a opressão e a exploração, NÃO TEM ARREGO!

 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Encontro do Coletivo Contra Opressões "Maria Bonita"

Dia 06 de setembro, às 10h.! Encontro do Coletivo Contra Opressões "Maria Bonita". 
SUBSEDE Guarulhos, Arujá e Santa Isabel. 
RUA Leonardo Vallardi 203 - Guarulhos (Próximo ao Fórum Municipal)

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

29 de agosto: Dia Nacional da Visibilidade Lésbica


LGBTfobia e Racismo nas escolas estaduais de São Paulo.

Opressão nas escolas

Pesquisa da Apeoesp, o sindicato dos professores do Estado de São Paulo, revela que mesmo com a ação de professores-mediadores, a discriminação está se disseminado nas escolas paulistas, mostrando a origem dos casos de bullying – a perseguição continuada.
O levantamento, feito em março de 2014 e disponibilizado ao Diário foi aplicado em todas as diretorias de ensino e mostra que as maiores vítimas são homossexuais e negros. Foram 2,1 mil entrevistados, entre eles 700 professores, 700 pais e 700 alunos.

No mesmo questionário, 36% dos professores disseram ter visto ou souberam de casos de preconceito contra homossexual, 29% contra negros e 18% contra nordestinos.

Em um caso recente, um aluno de 15 anos de Rio Preto chegou a levar uma faca de cozinha na escola para tentar se livrar dos abusos. O aluno do 1º ano do ensino médio da escola estadual Antônio de Barros Serra, no bairro Boa Vista, alegou que era chamado de homossexual, gordo e filho de lobisomen porque tem bastante pelo no braço. O adolescente foi ouvido e liberado e o caso encaminhado à Vara da Infância e Juventude.

A mesma pesquisa revela que os professores também são vítimas de discriminação dentro das escolas – 37% dos 700 ouvidos responderam ter sofrido discriminação.

Proposta do Estado

Para amenizar o problema, o Estado começou
oferecer curso de capacitação para professores mediadores. Foram capacitados 128 professores-mediadores especificamente para coibir comportamentos discriminatórios, como racistas, homofóbicos, entre outros. Uma ação importante, mas muito tímida haja vista o número de escolas em todo o Estado de São Paulo.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Minutas do PSDB para Educação Paulista são Machistas! Não aceitaremos mais esse ataque

Não é sem fundamento a afirmação de que combater o fim das opressões é fortalecer a luta da classe trabalhadora de conjunto. Com relação a categoria do magistério essa questão ganha ainda mais peso.
O MEC (Ministério da Educação) divulgou pesquisa na qual evidencia-se o fato de que as mulheres compõem 81,5% do total de professores da educação básica do país. Há 2 milhões de professores neste nível educacional, dos quais 1,6 milhão são do sexo feminino. Esses números refletem o quanto a opressão é utilizada pelo capitalismo para super explorar um setor da sociedade. 
O machismo é uma ideologia, ou seja, um conjunto de ideias falsas que cria uma falsa verdade e que é utilizada pelo sistema capitalista para manter a dominação e ampliar a exploração. A ideologia machista aponta como algo natural da mulher a atenção, a delicadeza e a meiguice, decorrentes do fato de serem mães. Sob este viés, cuidar de crianças, adolescentes e jovens seria uma extensão natural da maternidade. Desta forma, não há porque valorizar a atividade educacional, já que a mulher é "naturalmente" cuidadora, protetora, aquela que "naturalmente" foi criada para ensinar. Esta é uma questão importante, não a única, que explica a baixa remuneração da categoria. Não apenas isso, mas também a precariedade na contratação, nas jornadas de trabalho, na formação profissional entre outros fatores.
Há vinte anos o Estado de São Paulo é governado pelo PSDB. Ao longo desse período a Educação Pública tem passado por um amplo processo de sucateamento. Se hoje a situação não está pior é em decorrência da organização da categoria para defender a escola pública. 
A última tentativa de atacar ainda mais a categoria foi feita no final do mês de junho, quando o governo apresentou duas minutas, que são propostas de alteração no Estatuto do Magistério e no Plano de Carreira. Tratam-se, em síntese, de um conjunto de ataques que visam desmontar ainda mais a escola pública.
As minutas fortalecem a meritocracia, aprofundando a divisão da categoria, pois força a percepção equivocada de que a Educação é um ato individual e não social, coletivo; Prevêem a manutenção e aprofundamento das contratações precárias, com perdas de direitos trabalhistas imensas; Avaliação de direção com o evidente objetivo de aprofundar no interior da escola o assédio moral; O fim do período de recesso escolar para a categoria entre outros ataques.Destacamos aqui a alteração na jornada de trabalho:

Essa alteração, se aprovada, não atende a histórica reivindicação da categoria pela aplicação da jornada do piso, que prevê um terço da jornada pra atividades extra classe. A mudança apenas aumenta o tempo de permanência na escola, portanto, aprofunda ainda mais a exploração. Isso não é qualquer coisa em se tratando de uma categoria majoritariamente feminina. Infelizmente, as mulheres permanecem subjugadas a dupla ou tripla jornada, uma vez em decorrência do machismo, continuam escravas dos serviços domésticos e do cuidado dos filhos. O governo e o capitalismo sabem disso e não se intimidam em orquestrar ataques dessa natureza.
Não podemos aceitar!!!. É preciso denunciar, mas também nos organizar!!!. 
Provisoriamente, por conta da campanha eleitoral, o governo recurou, mas apenas momentaneamente. Já fez isso outras vezes e bem sabemos que esse governo não é digno de confiança. Não há outro caminho fora das lutas organizadas da categoria.
Temos muitos instrumentos de luta, dentre eles o sindicato e no sindicato o Coletivo Contra Opressões “Maria Bonita”.
Dia 25 de setembro, as 10h no Vão Liivre do MASP, acontecerá a Assembleia Estadual de Professores. Paralisar um dia nossas atividade e lutar em defesa de nossos direitos está na ordem do dia!!!
Procure o R.E (Representante de Escola) no seu local de trabalho, se não tiver um(a) eleja-se, organize sua escola para este dia e venha se somar a luta daquelas e daqueles que não aceitarão de braços cruzados os ataques do governo sobre nossa categoria. 
Mobilize-se!!! 

terça-feira, 1 de julho de 2014

Painéis temáticos marcam o 28 de junho na Subsede da APEOESP-Guarulhos, Arujá e Santa Isabel

Dia 28 de junho é um dia histórico do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Em 2014 celebramos 45 anos da Rebelião de Stonewall.Ainda hoje lutamos contra a violência que diariamente atinge milhares de lgbt's em todo o mundo. No Brasil, 1 lgbt é assassinada(o) por dia, um dado alarmante no país que gastou BILHÕES para sediar a Copa e que não investe um centavo na proteção a LGBTs. É preciso lutar contra a lesbofobia,  a homofobia, a bifobia e a transfobia. É preciso lutar contra a invisibilidade lésbica e os estupros corretivos. Lutar pela despatologização das identidades trans*. Por mais políticas públicas para o combate às opressões. Chega de descaso e violência! IMEDIATA APROVAÇÃO DA PLC 122/06 E PL 5002 , Lei João Nery. 

Por conta desta data histórica, o Coletivo Contra Opressões "Maria Bonita" organizou, na Subsede da Apeoesp-Guarulhos, Arujá e Santa Isabel, painéis que narram a história do movimento LGBT e o Levante de Stonewall com seus desdobramentos históricos. Vale a pena conferir. Faça uma visita a Subsede e se informe melhor sobre nossa organização. VENHA PARA O COLETIVO! ORGANIZE-SE!